À consciência da inaptidão

Incapacidade total. Cada vez que ouço o Senhor me pedindo algo é o que sinto. Inabilidade, inaptidão, como queira chamar. Uma simples, avassaladora e irrestrita consciência de falta de poder, de ausência daquilo que é natural que procuremos, nós, os seres-humanos: a segurança.

Cada palavra aqui descrita não é em demasia, e tampouco eufemismo. Pelo contrário, a tentativa a que me proponho, é de expressar a essência da realidade que se posta a minha frente toda vez que encaro um novo desafio espiritual.

Jamais encontrei na palavra um momento em que Deus requer de um de seus filhos algo que eles pudessem fazer. Naturalmente Abraão nunca imolaria seu filho pela simples vontade de fazê-lo, seu único e amado fruto, sua única prova de que viveu. Moisés, em momento algum, de antemão, viu-se o homem certo para libertar seu povo; antes, ele argumentou do contrário, na prova de convencer o Pai de haver Ele selecionado-o erroneamente. Nem Paulo se imaginou, no meio de seus muitos afazeres, sofrendo regozijadamente por Cristo ou suportando tudo por amor à igreja. De jeito nenhum.

Ora, Abraão foi chamado de “pai da fé”, e foi ele que mentiu ser irmão de sua própria esposa por medo de que o matassem. Moisés, “o homem mais manso que já habitou sobre a terra” foi aquele que assassinou a sangue frio um egípcio que torturava um de seus irmãos israelitas. E Paulo, o “grande apóstolo da igreja primitiva”, foi aquele que perseguiu e encarcerou os discípulos de Jesus sem hesitar, pensando ele que estivesse cumprindo a lei.

Por isso, sendo o que verdadeiramente eram, nas expressões de suas habilidades e limitações de facto, posso facilmente imaginar as reações extremadas a que os três encontraram-se submetidos: o seco na garganta de Abraão quando Deus lhe pediu seu filho; o desespero de Moisés quando ouviu da sarça ardente o seu chamamento; a voz trêmula de Paulo ao responder ao próprio Cristo.

O que saliento é que todos esses homens eram tão humanos quanto tu e eu. Todos eles possuíam qualidades, defeitos, problemas interiores e pecados. Logo, eles não realizaram aquilo que estava dentro de suas capacidades. Eles foram muito além. Não lhes foi apresentado outro caminho, senão o do inexequível. Eles, sabendo que nada tinham a acrescentar à proposta divina, embarcaram em uma viagem sem retorno, rumo ao desconhecido, em direção à perfeita vontade de Deus.

Nada que o Pai requer de nós pode ser cumprido exclusivamente com aquilo que podemos ser ou fazer. O que o Senhor quer é exatamente fazer com que extrapolemos nossas habilidades e dependamos Dele. “Convém que Ele cresça e que eu diminua”. Essa é a vontade de Deus em nós, fazer operar a cruz de Cristo, para “vivermos também a Sua vida”, como nos lembra Paulo.

Apenas precisamos nos recordar de que aqueles que já mencionei deixaram-se suplantar a si mesmos e morreram (inclusive para suas debilidades), de forma a poder dar aquilo que não possuíam e fazer aquilo que não eram capazes. Neles operou o poder do evangelho, a vida de Cristo.

Agora sei que, ao primeiro sinal de inaptidão, às primeiras falhas intrínsecas do meu eu, o Senhor está me fazendo um convite brutal e doce ao mesmo tempo: deixar a sensação de segurança que tanto me apego e fazer do infactível e inimaginável, a mais bela expressão da habilidade divina.

Queres ser tu também um incapaz?

Aos soldados

O calor era insuportável. O peso da armadura dificultava ainda mais. Ofegante, corri até eles sem pestanejar. Precisava lutar, precisava agir. Estar ao lado de Davi significava mais do que ser um soldado. Significava estar sempre alerta. Sempre pronto para matar e para morrer. O inimigo espalhava-se por entre as colinas. Não com medo de nós, mas à espreita aguardavam o melhor momento para contra-atacar. Nós também esperávamos. Sabíamos que aquele seria o nosso dia. O Senhor os entregara em nossas mãos. Corríamos em silêncio, ouvíamos apenas nossa respiração e os nossos pensamentos. Bem me lembro do quanto desejei estar em casa, com minha família. Mas o dia do Senhor chegara para nosso povo. Precisávamos conquistar o território que Deus escolhera.

Dias em marcha e noites de preparação nos cansaram. A única coisa que nos movia era a palavra do nosso Senhor: “Eu entreguei os filisteus a vocês.” “Assim seja”, dizia a mim mesmo.

Dado o momento certo, atacamos. Tudo o que se movia era alvo. Fomos avançando e perseguindo o inimigo. Muitos de nós caíram naquele dia. Mas o que precisávamos fazer era seguir em frente, atacar o inimigo aniquilar a todos. Eles acabaram se dispersando, aterrorizados. Moviam-se por entre desfiladeiros para fazer-nos desistir. Em vão. Perseguimo-os um a um e os pusemos ao fio da espada. Ao fim do dia, a vitória. O território era nosso e, com ele, tudo o que havia naquele lugar.

O episódio acima, baseado num conjunto de trechos de I Samuel, mostra um pouco da realidade enfrentada pelo povo de Israel e seus guerreiros. Qual a diferença dessa realidade para a nossa? Absolutamente nenhuma.

Muitas vezes, por não andarmos com a consciência de que estamos em uma guerra, tudo a nossa volta nos parece estranho. Em um mundo que prega o bem-estar e a vida sem dificuldades (que ilusão!), nós, discípulos, somos tentados a querer viver uma vida mansa, baseada em bênçãos e na graça do Pai.

Ora, as bênçãos e a graça são reais e são parte essencial da nossa existência e do propósito do Senhor para nós. Entretanto, elas não são o evangelho inteiro, são apenas parte. Poderíamos destacar muitas ocasiões em que o Senhor abençoou o povo, ao mesmo tempo em que deu a eles uma guerra para guerrear. A “terra que mana leite e mel” estava tomada por povos inimigos, todos eles entregues aos hebreus por Deus. Jericó era uma cidade fortificada, a qual ninguém conseguia atacar. A igreja de Atos contava com muitos sinais, maravilhas, milagres e muita alegria, mas também era perseguida e jogada na prisão, como escória do povo.

O que quero ressaltar é que, apesar de recebermos nas mãos a bênção, o território prometido, Deus nos ordena que ataquemos, que conquistemos aquele posto. Por isso, temos que ter em mente, sempre, que toda guerra tem um preço. Podemos perder vidas, podemos voltar feridos, ou ficar extremamente abatidos, tal o potencial de ataque do inimigo.

Infelizmente, o que acontece, muito comumente, é que, quando somos atacados, quando lutamos “o bom combate”, estranhamos, achamos que não deveria ser assim. Pedimos ao Senhor que faça alguma coisa a respeito. Enquanto isso, o que o Pai está tentando fazer é, de fato, nos abençoar, nos guiar dentro do Seu propósito.

Não foi à toa que Deus, quando Moisés apresentou seu sucessor, Josué, ao povo, disse: “Sejam fortes e corajosos, não tenham medo nem fiquem apavorados por causa delas [as nações inimigas], pois o Senhor, o seu Deus, vai com vocês; nunca os deixará, nunca os abandonará”. (Dt 31.6)

Tenhamos ânimo, o Senhor vai “à nossa frente”! Aleluia! Vamos guerrear com Ele, lutar com o Senhor, pois Ele já entregou o inimigo em nossas mãos. Não vamos esquecer da razão pela qual lutamos e do que o Senhor já fez em nós. Ele nos capacita e nos guarda, e nada poderá deter o Nosso General.

Não esqueçamos: apesar de todas as batalhas, mesmo “enfrentando a morte todos os dias”, “somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8.37).

Paz com todos, força e graça!

Gustavo

Haikai

Olá a todos!!

Ando escrevendo (aprendendo, na verdade) alguns textos diferentes. Sempre tive especial curiosidade pela produção dos chamados haikais (ou haiku), uma forma poética que tem sua origem no Japão. Essa poesia deve conter apenas três linhas, sendo que a primeira e a última devem possuir cinco sílabas poéticas (não as que estudamos em gramáticas, mas as diferenças sonoras) e a segunda linha deve apresentar sete sílabas.

Pois bem, deixem-me apresentar o primeiro dentre muitos que poderão ser expostos aqui no blog:

 Dos altos montes falai:

“irá bem todo o filho

que ama seu pai”.

Para esse post é isso. Espero que aproveitem e possam, talvez, escrever alguns também!

Abraço e paz a todos!

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Completo

16/03/2011 3 comentários

À minha esposa, com muito amor.

As mãos estavam suando, admito. Por certo também que, se falasse qualquer coisa, a voz sairia trêmula, entonações embargadas, repetições desconexas. A sensação era única, inigualável. Naquele momento compreendi o sentido da palavra surreal. Não sabia eu se estava pisando firme no chão, ou se flutuava, mais leve que todos os seres.

Até o momento em que a vi. Confesso que jamais havia visto pessoa tão bela em toda a minha vida. Em muito a visão excedia os meus pensamentos, minha imaginação. Ela entrou. Sorriso largo, olhos em busca de alguém, até repousar nos meus. Uma explosão de pensamentos e certezas apoderou-se de mim. Suas vestes ultrapassavam mera simbologia, ela resplandecia santidade. A vida inteira esperando. Por mim. A verdade estampada no seu doce e delicado rosto e sua alegria sincera encheram o salão. Uma frase me vinha à mente: “valeu à pena esperar”. Ainda outra me vinha aos lábios: “obrigado, Senhor, muito obrigado!” O preço pago por aquele momento era muito mais que justo, era simplesmente insignificante. A cada centímetro em que se aproximava, ela me fazia sorrir, descansar, fazia-me ser o homem que hoje sou.

Esperar pela minha amada no altar foi único. Lá, perde-se a noção de tempo, como se já não houvesse. Enxerga-se mais do Eterno, entra-se Nele. Os convidados, a música, as flores, se faz frio ou calor, nada disso possui importância alguma nesse instante. Eu queria apenas uma coisa, e somente uma: receber a minha noiva.

A troca de palavras privativa quando da sua chegada, após seus infindáveis passos até mim, tornou tudo mais quieto, mais tranquilo. O terceiro cordão passou por entre nós, gentil. Estava feito. Todas as coisas em seu devido lugar no universo.

Era eu, finalmente, completo.

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Voltando à ativa

Agora sim galera…
Estou de volta!
Depois de casamento/lua de mel/férias/casa nova/trabalho e algumas coisas mais, começo a escrever aqui novamente.
Espero que todos estejam caminhando rumo ao Senhor Jesus! Ele é nosso único alvo!!
Muito em breve, novos textos! Na foto acima, um gostinho da minha lua de mel.. Quem conhece, conhece…
Paz a todos!
Gustavo

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A promessa

12/09/2010 2 comentários

Suécia. Maio de 2008. Mais um dia cinzento e solitário. Levantei tarde e um tanto mal-humorado. Estava cansado dos últimos ensaios escritos para o mestrado. Fui até a cozinha, preparei algo para comer e me sentei em uma confortável poltrona na sala de estar. Estava lá, pensando na vida, em o que mais fazer pra tornar a rotina interessante. Lembrava do Brasil, da família. Multidões de pensamentos e planos e desejos inundavam minha mente. A saudade se agigantava e uma certa tristeza instalava-se lá no íntimo, embora tentava eu, em vão, suprimi-la ou enganá-la com planos para os afazeres futuros. Eu estava contente por estar lá, por estudar, por ter experiências com as mais diversas pessoas do planeta. Sim, eu estava. Mas a dura realidade diária de sentir-se só em meio a muitas pessoas, de ser incompreendido por aqueles que poderiam servir-te de suporte e as lutas que se apresentavam a mim se tornaram fardos que não podia carregar.

Em meio ao emaranhado de lutas e esforços para levantar-me, lembrei de um CD que havia ganho de um amigo. Levantei-me e fui escada acima para ouvi-lo. Liguei o aparelho de som bem alto, a música começou a ecoar por toda a casa, grande e vazia. Em uma das faixas, algo mudou.

A música soava como fontes de água jorram, incessantes, serpenteando por entre caminhos rochosos até encontrar seu destino. Sua letra falava direto ao coração, e como se o tempo houvesse parado, fiquei ali, estático, na presença dos acordes. Eu bebia a canção, saciava-me de sua verdade, purificava-me com suas águas. As palavras simples, reais, poderosas eram como frescor da manhã. Enchiam-me de fôlego e davam-me alegria. E a letra dizia:

Deus de aliança, Deus de promessas, Deus que não é homem pra mentir. Tudo pode passar, tudo pode mudar, mas Tua palavra vai se cumprir.

Repentinamente, era certo que não estava só. Meus pensamentos foram trocados pelas palavras Dele. Tudo o que Ele havia dito sobre Sua vontade, sobre mim mesmo, sobre Si, tudo era como uma sinfonia linda, cadenciada. E seus acordes lembravam a mim que o deserto acabaria, que eu precisaria resistir até o fim, que a solidão se dissiparia; em frente estariam campos verdes e muito do que esperava Nele seria, em breve, concedido.

Cri. De todo coração. Não olhei para o que estava a minha volta, mas para o que estava adiante de mim. No Eterno eu já possuía tudo e as lutas tornaram-se o meio para alcançar o que o Pai havia prometido. Afinal, Ele não mente, não se engana, e ama como nunca alguém será capaz de amar. Tribulações momentâneas e sofrimentos que ensinam sãos necessários para nos preparar para o que havemos de receber Dele. O Senhor falara ao meu espírito e mudei minha mente. Restava-me então esperar.

Maio de 2010. Dois anos haviam se passado. Morando em São Paulo, no interior, estava já vendo e vivendo muitas palavras que foram lembradas naquele ano na Suécia. O Pai estava me abençoando tanto que constrangia-me a cada dia, tal o Seu amor e cuidado. Estava não apenas sendo abençoado no trabalho e em casa, como também o Senhor me dera oportunidade de servir Sua igreja e desgastar-me na Sua obra da maneira que sempre desejei. Tudo o que esperei Nele estava diante de mim, e a cada dia via Sua mão me fazendo crescer e prosperar em tudo, glorificando o Seu nome para que todos vissem do que o Senhor é capaz. Faltava uma palavra a se cumprir, a qual esperava ardentemente.

No fim do mês, então, o Senhor trouxe aquela que é o tesouro mais precioso que Ele poderia me dar e enfim, tem cumprido a cada dia uma de Suas palavras, as quais foram proferidas anos antes. Todos os dias acordo e lembro-me das promessas feitas a mim e vejo que vale à pena esperar por elas, porque jamais poderia haver imaginado o quão preciosa seria a mulher que o Pai escolheu para mim.

Ela, amável e bela, muito bela. É cheia do Senhor. Seus olhos, pura expressão do amor de Cristo. Simples e doce, conquistou-me sem esforço aparente. Todos os dias tem naturalmente requerido que me pareça mais com Cristo. Um outro texto seria necessário para descrevê-la, ainda que não o suficiente.

Sei que nunca poderia ter escolhido alguém assim, perfeita pra mim. Se fosse atrás de alguém para suprir o que sentia, seria em vão, como tudo o que tentei fazer por mim mesmo. Se houvesse tentado receber a promessa do Pai antes do tempo, antes das lutas, não daria o valor que ela tem para o próprio Deus. O que passei ocorreu para que estivesse apto a servi-la todos os dias da minha vida, por isso não tenho dúvidas que valeu à pena cada oração, cada luta, cada espera. E apesar de ainda estar no início de uma jornada que durará por toda a vida, já a amo demais, de um modo que não sabia antes ser possível amar.

Por essa razão, agradeço ao Pai por me dar um tesouro de valor incalculável. Ela, presente de Deus, minha esposa.

Gustavo

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Inspiração

14/04/2010 6 comentários

De onde vem a inspiração?

Essa pergunta fez-se vital para mim, como escritor e como homem. O que me inspira a escrever? O que faz minha mente multiplicar o fluxo de informação, multidão de pensamentos, reflexos contínuos, desejo de expressão?

Num ato de confissão, declaro que muito escrevi no período que se passou em branco e de pouco gostei. Esconderam-se as palavras de mim e as sentenças que tanto me fizeram companhia ocultavam-se agora em algum lugar, no recôndito do desconhecido.

Por isso a pergunta: qual a origem da inspiração? Vaguei pelos pensamentos; errante busquei alguma resposta que pudesse satisfazer essa inquietação.

Como que seguindo antigos vestígios, outrora despropositadamente largados, li e reli textos antigos, mapeando a trilha que jamais vira. O que antes fora mera elucubração tornou-se um vislumbre revelador. Não importavam as ideias, os assuntos, os estilos literários, o vocabulário. A nascente de todos os ensaios e crônicas e poemas era a mesma: nosso Senhor Jesus.

Embora em certa medida o mesmo já estivesse revelado a mim, algo novo reluzia no horizonte. Como o sol que invade vagarosa mas poderosamente a noite que fraqueja, o entrever deu lugar à visão mais límpida já presenciada, clareando o delinear de ideias novas e inspirações e mostrando-me que o cerne de todos os textos, de todas as palavras, encontrava-se (desde o princípio) no conhecer a Jesus.

Percebi e ainda estou contemplando o fato de que o ato de conhecer ao Senhor impulsiona as verdadeiras sinapses inspiratórias do ser. Ele está ali, majestoso, Todo-poderoso. Braços estendidos em convite. A mais complexa personificação do estro dispondo-se sem dilação. Simples, ereto, vitorioso.

Sempre esteve e sempre estará. O archè de tudo o que houve, há e haverá posta-se imutável pelos séculos à espera de quem ousa inspirar-se. E a verdadeira inspiração é o olhar para Ele, contemplá-Lo, conhecê-Lo na intimidade, saber Seus segredos, atentar as Suas mãos, ouvir a Sua voz.

Já não mais interesso-me pelos textos como antes, o desejo de continuar a inspirar-me tornou-se maior, mais nobre e infinitamente irresistível.

Se necessário for deixar de escrever para sempre, e assim conhecê-Lo por toda a eternidade, desculpem-me os leitores… a inspiração em primeiro lugar.

Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor (Os 6.3a)

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